terça-feira, 28 de abril de 2009

Velhas Cartas


As minhas velhas cartas
Meio amassadas, eu confesso
Algumas ainda têm seu cheiro
Quando as leio volto no tempo
Para nossos momentos mágicos
Nossos apelidos carinhosos e nossas promessas ainda me fazem rir
E algumas vezes consigo ouvir sua voz
Como se lesse para mim
Com aquela voz doce
Que só você tem
Também consigo imaginar a gente
Nossos carinhos, nossos beijos
Era tudo tão perfeito
Mas algumas cartaz
Escritas com ódio
Me fazem lembrar das nossas brigas
Que mesmo sendo tristes eram nossas
Nossas só nossas
Como deixamos acabar tudo assim?
Minhas lágrimas já mancham a tinta no papel
Eu lamento,choro e sangro
A todo final de carta
A cada eu teamo escrito
Mas acima de tudo
Nada é mais cruel que um feliz para sempre
Que já acabou

Ana Carolina Diniz

segunda-feira, 27 de abril de 2009

DAR NÃO É FAZER AMOR


Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar....
Sem querer apresentar pra mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem
esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.

Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar
o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
"Que que cê acha amor?".
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.

Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar

Experimente ser amado...
Luís Fernando Veríssimo